Elis Regina
  

Quando eu conheci Elis Regina, ela já tinha um pequeno renome como cantora, na noite do Rio de Janeiro. Na época três malucos se uniram para produzir os shows de uma boate que existia na Praça Roosevelt, em São Paulo, que se chamava Djalma e era sucessora da versão paulista do Zum-Zum carioca. Um jornalista (eu), um produtor de televisão (Solano Ribeiro) e um bon-vivant, boêmio, rico e dos melhores amigos que se podia ter (Altair Ribeiro, o Teco).

Trabalhávamos pelo couvert artístico, o que significa dizer que aquela taxa cobrada dos freqüentadores é que pagaria a produção, o cachê dos artistas e o nosso "lucro". O Djalma era uma casa pequena, talvez uns cem lugares e o trio ficava disfarçando na entrada, contando quantos chegavam, torcendo para o show pelo menos se pagar. Se não desse prejuízo, já era lucro.

Assim, levamos "ao ar", shows com Nara Leão & Sérgio Mendes (o quinteto); Jacqueline Myrna & Jair Rodrigues; Eneida Jalena & Lennie Dale; um cantor português de quem que me foge o nome & Ary Toledo. Quase sempre a estrela do show não deu em nada e os acompanhantes viraram nomes internacionais. Até que convidamos, no Rio de Janeiro, o cantor Silvio César. No auge de sua carreira, seria sucesso garantido. Mas, como era de uso então, precisávamos de alguém para fazer a "ligação" do show, de preferência uma cantora principiante, barata e que cantasse uns dois números enquanto a atração principal tomava um fôlego, trocava um paletó, coisa assim.

- Leva a Elis - indicou o próprio Silvio César.

- Que Elis? - foi a pergunta intrigada.

- Uma gauchinha que está cantando no Bottles.

Lá fomos ver a tal gauchinha, recém-chegada de Porto Alegre. O Bottles era uma pequena boate no Beco das Garrafas, em Copacabana, onde a bossa-nova imperava a todo vapor. Feita a proposta, ela aceitou na hora e "assinou contrato": Cinco cruzeiros por noite e hospedagem. Passou a morar num hotelzinho de quinta, que existe até hoje, nos altos da boate Kilt, esquina de Praça Roosevelt com rua Nestor Pestana.

Um ensaio à tarde e estréia a noite. O acompanhamento era feito pelo Sambossa Cinco, um quinteto de gênios: Luís Mello, com cachimbo ao piano; Xu Vianna ao contrabaixo; Turquinho na batera e os saxofones geniais de Kuntz e Hector Costita. Quem os ouviu sabe da genialidade da qual falo.

Gravei o show (Fernando Faro diz que perdeu a fita a ele emprestada, mas para mim ela está muito bem guardada…) e já na madrugada, nos camarins, todos nos reunimos para ouvir. De repente a baixinha desanda a reinar: "Hum, desafinaram aqui, atrasaram um compasso alí, entraram fora de tempo acolá".

Os músicos se entreolhavam e a pergunta muda estava em seus olhos: "Quem diabo é esta pessoa?". Tudo o que ela corrigiu estava mesmo errado e só ouvidos absolutos poderiam detectar. Era uma ilustre desconhecida, mas falava de igual para igual com músicos consagrados.

A temporada teve o esperado sucesso. Elis Regina passou a morar em São Paulo, a namorar o Solano Ribeiro - que a encaminhou artisticamente para Marcos Lazaro, o melhor empresário do Brasil - e a se transformar na Pimentinha.

* Arley Pereira é jornalista, pesquisador e produtor musical


 



Escrito por Natasha Barreto às 00h45
[] [envie esta mensagem]


 
   (foto enviada pela minha amiga Fernanda Farina)

Escrito por Natasha Barreto às 05h45
[] [envie esta mensagem]


 
  

 Macaquices de auditório

Duas ou três lembranças de um apaixonado por Elis Regina

 

            Uma história puxa outra.Quem lê esta coluna (quem lê esta coluna?) sabe que o autor teve, tem e, tudo indica, sempre terá fixação em Elis Regina.Foi só lembrar disso na última quarta-feira para as lembranças de seus tempos de macaco de auditório ficarem mais acesas.Divido-as com vocês.

            Tive uma vizinha, em Copacabana, que participou de um cruzeiro marítimo do qual Elis também fazia parte.Elas voltaram da Europa no mesmo navio.Não ficaram amigas, não se conheceram, nunca sequer se esbarraram.Mas eu admirava muito esta vizinha.Afinal, era a única pessoa do mundo que eu conhecia que já tinha estado no mesmo navio em que Elis Regina estivera.No tempo em que ela era minha vizinha, vi uma vez um especial de Elis na TV Rio.

            Naquele tempo – estou falando de muitos, muitos anos atrás – um especial de Elis na televisão não era divulgado como seria hoje.Na verdade, imagino que nem as emissoras de TV fossem muito organizadas.Provavelmente, o tal especial fora decidido na véspera.Ou naquele dia mesmo.O fato é que foi uma surpresa.Elis estava ali, no mesmo bairro, a alguns quarteirões, fazendo, ao vivo, um especial para a TV Rio.Bati na porta da minha vizinha.Em cinco minutos, decidimos ir lá.

            Nem era para tentar ver o show.E não tentamos.Só queríamos ficar na porta da emissora para acompanhar a saída da Elis.Até então, nunca tinha visto Elis tão de perto.Ela até deu um adeusinho.Acho que reconheceu minha vizinha.

            Logo depois me mudei.Nunca mais vi a vizinha (espero que esteja bem) e ela nunca soube que cheguei a ver Elis bem mais de perto do que naquela noite no Posto Seis.Foi na mesa de um restaurante do Caesar Park.Eu de um lado, ela dou outro.Maior intimidade.E César Camargo Mariano no meio, o que quebrava um pouco a magia daquele primeiro encontro.O papo é que foi muito chato.Trabalhava na sucursal de uma revista paulista e tinha recebido uma pauta pedindo para entrevistá-la. Nem li o telex direito.É uma história tão antiga que é do tempo do telex.Lembra do telex?Pois é. Só li que era pra entrevistar Elis.Quase não acreditei.Depois de marcar a entrevista – acho que com ela mesma, por telefone – me dei conta de quanto era inadequado o assunto.Quer dizer, inadequado para um fã que  perderia a oportunidade de discutir seu último disco ou seu último show.Tinha que entrevistar Elis para falar sobre bancos de leite!Era uma reportagem-denúncia sobre a precariedade dos bancos de leite brasileiros.E Elis, que falava muito sobre isso logo depois de João Marcelo Bôscoli nascer (ele era alérgico ao leite da mãe), poderia dar um bom depoimento.E deu.Mas nunca me conformei de, enfim, estar cara a cara com meu ídolo e só perguntar estranhezas do tipo “você não tinha leite?”, “procurou algum banco?” e “ com os outros filhos, repetiu-se o problema?”Elis Regina nunca soube que estava diante do maior de seus admiradores.

Mas eu tinha que dar um jeito de ela saber.O show era “Saudades do Brasil”, no Canecão.Já tinha visto duas vezes. Aquela era a terceira.Eu precisava dar um jeito de chamar sua atenção.Não conto tudo que fiz, mas quando o espetáculo acabou eu estava em pé, em cima da mesa, gritando: “Você é grande, Elis!”Não sei se Elis me viu, mas a Graça Lago - filha do grande Mário e , ela também, uma gracinha – veio me convidar para ir até o camarim.As duas eram amigas, sabe?Não tive coragem.Mas fiz uma encomenda.Entreguei minha cópia do álbum duplo com a gravação do espetáculo para Elis autografar.Graça cumpriu a tarefa direitinho.E é assim que guardo até hoje meu disco de vinil com o autógrafo da maior cantora brasileira.Quando meu pai gostava muito de um pertence, costumava dizer que ele era da Maroca.Por quê?Porque não se dá, não se vende e não se troca.Eu sei que não faz nenhum sentido, mas rima, né?Meu disco com o autógrafo da Elis é da Maroca.

                                                                                                                         Artur Xexéo(colunista)

 

 

 



Escrito por Natasha Barreto às 05h43
[] [envie esta mensagem]


 
  [ ver mensagens anteriores ]  
 
 



Meu perfil
BRASIL, Sudeste, RIO DE JANEIRO, Ilha do , Mulher, de 15 a 19 anos, Portuguese, English, Música, Arte e cultura
MSN - natashabarreto@hotma


HISTÓRICO
 28/01/2007 a 03/02/2007
 21/01/2007 a 27/01/2007
 14/01/2007 a 20/01/2007
 02/05/2004 a 08/05/2004
 04/04/2004 a 10/04/2004
 21/03/2004 a 27/03/2004
 22/02/2004 a 28/02/2004
 08/02/2004 a 14/02/2004
 01/02/2004 a 07/02/2004
 25/01/2004 a 31/01/2004
 18/01/2004 a 24/01/2004



OUTROS SITES
 Fórum da Elis Regina
 Elis "vive"
 Na Mémoria - Elis Regina
 Fotolog
 Blog da Cris Passinato - Muito rico em vídeos
 Blog do Danilo


VOTAÇÃO
 Dê uma nota para meu blog!